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Porto Velho

© by Bolívar Marcelino

Porto Velho
da minha infância
e da minha adolescência,
das barrancas do rio,
do velho trapiche do Aripuanã...
do ponto inicial da Madeira-Mamoré.
- Debruço-me no teu passado
e vejo
na retina dos meus olhos:
A favela,
A Rua-da-Palha,
A Ladeira do João-barril,
o velho coqueiro solitário da Baixa da União
E me perco em memórias e recordações...

Porto Velho
das reuniões do Bar-Central,
da velha ponte Guapindaia,
do Parque Municipal,
do "buraco" do Aníbal e do Chico do "buraco";
das velhas casas de madeira dos ingleses,
Casa Seis, Três, Hotel-Brasil, do Paraíso e do Clube Internacional.

Porto Velho
do Igarapé-Grande,
de águas brancas, cristalinas, murmurejantes...
do Beco do Mijo,
da Ponte do Suspiro,
da Vila Confusão.

Porto Velho
cosmopolita, de espanhóis, portugueses, ingleses,
barbadianos, nordestinos, colonizadores.

Porto Velho
do Pedro do Rádio,
do Macedo telegrafista,
do professor Carlos Costa, do Butioni,
do Aluízio, como dizia o Getúlio,

Porto Velho
das figuras populares: Zé Quirino e Tainha
da política apaixonada: cutuba e pele-curta,

Porto Velho
dos diminutivos: Ferreirinha, Oliveirinha, Teixirinha, Freitinhas...

Porto Velho
do "gabarito",
da Fifi Lorotoffi,
do Nuno IV,
do João do Vale,

Porto Velho
do "footing" da Praça Rondon,
de mil lembranças que trago dentro do peito,
na minha saudade;
berço de minhas filhas, dos meus filhos, de minhas ilusões.

Porto Velho
que dia a dia cresce a retorcer-se
num canto do meu coração...