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Quando o Trem Passa

© by Antonio Candido

Não apites assim, pois teu apito
mergulha minha alma na lembrança
me transportando ao tempo de criança
e me deixando o coraçõa aflito.

Passa em silêncio, sem lançar teu grito,
pois a saudade há muito já descança
no escrínio da memória que não cansa
do velho trem que se tornou meu mito.

Passa calado em tua nostalgia
sem despertar a minha fantasia
e velhos sonhos que estão latentes.

Pois me recordo de tardes passadas
quando eu e Maria de mãos dadas
sonhávamos contando teus dormentes.