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| Notas Biográficas |
Em toda a região, o maior foco de lutas por conquistas territoriais era o vale do
rio Guaporé, com os espanhois que se haviam fixado na região que hoje faz
parte da Bolívia. Alí, ao longo da primeira metade do século XVIII
travaram-se inúmeras batalhas pela posse do lado direito do rio. Lutavam,
portugueses e espanhois, pelas jazidas auríferas descobertas na província
de Mato Grosso (em Bom Jesus, atual Cuiabá, e Vila Bela), durante o processo de
avanço dos portugueses em direção ao oeste, a despeito do
inócuo Tratado de Tordesilhas que consignava aquelas terras ao Rei de Espanha. E
depois, para estabelecer melhores posições para dar cumprimento aos
Tratados de Limites bilaterais, quando adotaram o princípio do Uti
Possidetis (a posse pelo uso), como forma de resolver sem combate armado suas
questões de fronteiras.
Para garantir as conquistas portuguesas, o governador da província de
Mato Grosso Luis Albuquerque de Melo e Cáceres, determinou a
construção de uma fortificação nas proximidades do local da
antiga Aldeia de Santa Rosa (espanhola, na margem esquerda do rio Guaporé). As
obras de construção do Real Forte do Principe da Beira foram executadas
entre 1776 e 1783.
O 1º ciclo da borracha, que movimentou a economia da região e trouxe as primeiras
grandes levas de migrantes, principalmente da região nordeste, durou cerca de 50 anos. Deixou
como herança a EF Madeira-Mamoré e as cidades de Porto Velho e Guajará Mirim. De resto era a grande floresta. Imensa, desconhecida, quase inpenetrável. Encerrado esse ciclo, a economia regional viveu um longo período de completa estagnação.
Em 1971 o Ministério das Minas e Energia proibiu a garimpagem manual, obrigando a
mecanização da lavra. Em 1970 a garimpagem atingira seu pico, produzindo
4.721 ton de minério de estanho. Ao final da década de 70, Rondônia respondia por quase 70% da
produção nacional. Em 1989 foram produzidas 54.192 ton, sendo 8.974 ton
através da garimpagem novamente liberada.
Daí em diante a
produção entrou em declínio, provocado pelas condições
do mercado internacional do produto e conflitos legais entre garimpeiros e empresas
mineradoras. A produção atual é pouco significativa.
O ouro foi descoberto no leito do rio Madeira. Era, em meados dos anos 80, junto com a
cassiterita, os principais produtos de Rondônia, atraindo garimpeiros de todo
o Brasil. Estima-se que em 1987 haviam cerca de 600 dragas e 450 balsas extraindo ouro
do rio. Eram processos extrativos rudimentares, admitindo-se perdas em torno de 50%. O
trabalho nas balsas era extremamente perigoso, pois obrigava um mergulhador operar a
"maraca", o terminal do mangote de sucção, conduzindo-a no fundo do rio
para fazer o desmonte em profundidades de até 15m.
Como era grande a evasão (pelo menos 50%), são imprecisas as estimativas
de produção. Admite-se que no ano de 1987 tenha sido da ordem de 8.000 ton.
Já no início dos anos 90 entrou em declínio, estando praticamente
interrompida.
Este ciclo gerou muita riqueza, sendo porém quase nulos os benefícios
duradouros produzidos. Foi uma exploração predatória e de alto
impacto ambiental. Pode-se dizer que, da exploração do ouro, a maior
herança é o seu passivo ambiental: erosão do leito e das margens do
rio, contaminação das águas e da cadeia alimentar pelo
mercúrio, poluição por óleo, combustíveis e rejeitos
lançados na água e por equipamentos abandonados, sedimentação
do canal navegável, etc. Nos denominados garimpos do Arara e Periquitos, as crateras abertas por desmonte hidráulico chegaram a
comprometer a BR-425, que vai até Guajará Mirim. No local foram encontrados
fósseis de mastodontes e tatu-gigante, entre outros. Esta bacia está sendo
destruída, e seus fósseis contrabandeados.
Não deixou boas
lembranças, este ciclo.
A abertura desta nova fronteira agrícola no país só foi possível graças a BR-364. De 1960 quando se abriu o caminho pioneiro, até 1983/84 quando a rodovia foi asfaltada, a estrada se manteve aberta graças à "santa insanidade" daqueles que se aventuravam em percorrê-la, ficando incontáveis vezes retidos em areais imensos e atoleiros gigantes por dias e semanas, comendo o que era possível. Enfrentando a lama, entre o 2º semestre de 1977 e o final de 1982, 220.064 migrantes, vindos principalmente dos estados do sul, chegaram a Rondônia. Deixaram lá o que tinham, alguns apenas os familiares, para conseguir um pedaço de chão, enfrentar os piuns, os carapanãs, os anofelinos (malária), e o trabalho inacabável de derrubar a mata, queimar, abrir estradas, preparar a terra, semear, colher, e, carregando o cacaio nas costas, levar seus produtos por quilômetros e quilômetros de estradas de terra (ou lama?) até os compradores. Assim se construiu o estado de Rondonia. Ninguém suponha que as derrubadas e queimadas foram feitas por "predadores da natureza". Quase três quartos da área total do estado ainda é mata virgem. E nenhum outro no Brasil tem maior percentual de seu espaço protegido por áreas de conservação e preservação ambiental, definidas em Lei.
Independentemente das críticas que possam ser feitas ao processo de ocupação do seu espaço físico, na questão fundiária Rondônia mostra uma estrutura onde a pequena propriedade (aqui definidas como unidades de até 100 Ha) representa parcela da maior relevância. Não é, portanto, um estado de latifúndios. Existem registradas 86.000 propriedades rurais, com documentação e limites legalmente estabelecidos e respeitados, 70% das quais possuem energia elétrica. A produção leiteira do estado é atualmente (mai/2002) da ordem de 1.600.000 litros /dia, e está distribuida entre cerca de 35.000 produtores. Já o café, a principal riqueza agrícola, é produzido em 40.000 propriedades. Assim, cerca de 400.000 rondonienses (quase 30%) vivem diretamente do que produzem em suas terras.
Para melhor caracterizar o desenvolvimento da fronteira agrícola aberta na região, e a rapidez de sua evolução, as tabelas a seguir mostram alguns dados estatísticos do estado.
Migrantes e população.
Ano a ano, entre 1977 e 1986 (o período de maior intensidade), o n° de migrantes que entrou no estado foi o seguinte:
|
|
População de Rondônia: 1950-2000
| Urbana | % | Rural | % | Total | |
| 1950 | 13.816 | 37,4 | 23.119 | 62,6 | 36.935 |
| 1960 | 30.186 | 43,2 | 39.606 | 56,8 | 69.79 2 |
| 1970 | 59.564 | 53,6 | 51.500 | 46,4 | 111.0 64 |
| 1980 | 227.856 | 46,4 | 263.213 | 53,6 | 491 .069 |
| 1991 | 658.172 | 58,2 | 472.702 | 41,8 | 1.1 30.874 |
| 1996 | 762.755 | 62,0 | 466.551 | 38,0 | 1.2 29.306 |
| 2000 | 884.523 | 64,1 | 495.264 | 35,9 | 1.379.787 |
Evolução do desmatamento - 1975/1990
| Ano | % da área total | área em ha/ano |
| 1975 | 0,50 | 122.742,46 |
| 1978 | 1,5 | 341.859,42 |
| 1985 | 5,23 | 1.248.380,67 |
| 1987 | 8,7 | 2.070.319,37 |
| 1988 | 4,6 | 1.092.028,14 |
| 1990 | 0,38 | 91.331,17 |
| Total | 24,81 | 5.898.791,17 |
Produção agrícola - 1975/1995 - em toneladas
| Produto | 1975 | 1985 | 1995 |
| Café | 63 | 92.535 | 171.237 |
| Cacau | 12 | 29.443 | 15.871 |
| Arroz | 62.096 | 219.101 | 262.437 |
| Feijão | 2.485 | 36.050 | 81.002 |
| Milho | 5.178 | 147.764 | 370.180 |
| Mandioca | 21.429 | 493.378 | 708.605 |
| Totais | 91.263 | 1.018.271 | 1.609.332 |
Pecuária bovina.
A pecuária bovina também é importante na formação da
economia local, e o rebanho apresentou uma rápida evolução, como
é mostrado a seguir:
Evolução da Indústria Madeireira - 1989/1994
| Ramo de Atividade | N° de Indústrias | Participação (%) | ||
| 1987 | 1994 | 1987 | 1994 | |
| Desdobramento de Madeira | 781 | 535 | 66,07 | 45,69 |
| Carpintaria e Estruturas | 264 | 135 | 22,33 | 11,53 |
| Chapas Aglomeradas ou Prensadas | 7 | 34 | 0,59 | 2,90 |
| Artigos Diversos | 35 | 233 | 2,96 | 19,90 |
| Fabricação de Móveis | 95 | 234 | 8,05 | 19,98 |
Evolução do PIB per capita no Brasil e região norte (R$):
Fonte: IBGE
Regiões/Unidades 1996 1997 1998 1999 (99/96) Brasil 4.830 5.327 5.518 5.740 18,8% Norte 3.052 3.176 3.300 3.380 10,7% Rondônia 2.826 3.200 3.452 3.657 29,4% Acre 2.268 2.528 2.725 2.817 24,2% Amazonas 5.519 5.496 5.613 5.577 1,1% Roraima 1.918 2.103 2.440 2.558 33,4% Pará 2.416 2.513 2.605 2.705 12,0% Amapá 3.288 3.585 3.382 3.392 3,2% Tocantins 1.434 1.575 1.741 1.832 27,8%
O quadro a seguir é uma síntese do ZSEE.
| Zonas | Área (Ha) | % Estado | % Reserva | Área Preservada | Área Exploração | ||
| (Hectares) | % Estado | Hectares | % Estado | ||||
| 1.1 | 6.141.734,87 | 25,75 | 20 | 1.228.346,97 | 5,15 | 4.913.387,90 | 20,60 |
| 1.2 | 3.066.401,19 | 12,86 | 40 | 1.226.560,47 | 5,14 | 1.839.840,71 | 7,72 |
| 1.3 | 1.482.380,61 | 6,22 | 70 | 1.037.666,42 | 4,35 | 444.714,18 | 1,87 |
| 1.4 | 1.340.531,12 | 5,62 | 80 | 1.072.424,90 | 4,5 | 268.106,22 | 1,12 |
| Sub-total | 12.031.047,79 | 50,45 | - | 4.564.998,77 | 19,14 | 7.466.049,02 | 31,31 |
| 2.1 | 2.565.336,50 | 10,75 | - | - | - | - | - |
| 2.2 | 918.105,54 | 3,85 | - | ||||
| Sub-total | 3.483.442,04 | 14,60 | - | 3.483.442,04 | 14,60 | - | |
| 3.1 | 1.808.129,12 | 7,58 | - | ||||
| 3.2 | 2.375.250,04 | 9,96 | - | ||||
| 3.3 | 4.153.410,90 | 17,41 | - | ||||
| Sub-total | 8.336.790,07 | 34,95 | - | 8.336.790,07 | 34,95 | - | |
| Total | 23.851.279,90 | 100,00 | - | 16.385.230,88 | 68,69 | 7.466.049,02 | 31,31 |
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III. Hino: Céus de Rondônia
Música: José de Mello e Silva
Letra: Joaquim de Araújo Lima
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